quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ser Lusitana


Isto de ser português é ser acima de tudo poeta,
Romancear sobre a vida e vive-la como dramático.
É sentir tudo e não sentir nada.
Mergulhar nos problemas e deixar que o vinho os leve.
É amarrar ao peito o clube e colher o sol na praia nos meses de inverno.
Cidadãos defensores da pátria nas tempos vagos,
Fervorosos adeptos do que cá não se faz, 
                                                 durante o trabalho.
Algo falha!
                              Está errado e queixam-se da falta de planeamento.
Chega a hora de planear é aí que o trabalho aperta.
Então para viver mais confortavelmente desaperta o trabalho,
E critica quem manda.
Pessoas de bem, não há quem tire a razão.
Acolhedores dizem uns com ar de contentes,
Habituados à frieza dos países mais frios.
Pais que só acolhe quando abordado, mas oferece um pastel de nata!
De paisagens, com mar e comida se enche o país,
Não esquecer os velhos reformados que também eles fazem parte dos monumentos das cidades.
Mas pensado pelo lado positivo, estamos a povoar o mundo,
Com grandes génios das artes e ciências que lá fora estão como que em casa;
E que em casa são corridos e ou ignorados.
Ser português é esperar por D.Sebastião,
Que surgirá entre o nevoeiro da desertificação do pais luso.
Lusitanos chamamo-nos com o coração,

Mas o que nos somos a final então?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Entre mim e ti!


Entre mim e ti há tudo!
Há um imenso deserto de entendimento e de pouco conhecimento.
Somos almas que a minha imaginação resolveu juntar,
E que agora a minha realidade não consegue separar.
Todas as tuas fragilidades foram seladas e devidamente protegidas,
Por mim, pela minha dignidade e pela minha coragem!
Todas elas existem para te defender e poupar aos vícios alheios.
Contudo falho! E repito o cenário…
Entre mim e ti há tudo!
Há comunalidades que factos não conseguem provar!
Uma explosão de sentimentos que fazemos
                               Ou faço travar!
Há conversas com palavras mudas. Que são tudo!
                               São toda a história e toda a emoção.
Falamos e tocamos levemente,
Tu em ti e eu penso em tocar-te…
Mas tocamos! As nossas almas!
                               Tocam-se! Fora de mim e fora de nós!
                               Fora da realidade!
Há a placidez de um olhar,
                Sublime, carregado de dor!
Revejo-te. Ai estas, sozinho a olhar-me!
Comovo-me, não me movo!
                Espero pelo passo. Ele não chega. Recuo!
Consigo sentir a tua dor, o teu peso,
O teu olhar e o teu sorriso.
Lá não estão, mas eu vejo-os e muitas vezes os imagino.
Entre mim e ti há tudo!
Um mundo de ilusão e de muita comoção.
A tua imagem acelera-me e descompõe-me!
Imagino uma e outra vez esse teu olhar, carregado,
                               De ti e da tua forma de ser.
Entre mim e ti não há nada,
                               Visto à luz da claridade! Da Realidade!
Nada há!
                               Silêncio que se perpétua!
Conheço-te pelo olhar!
Sim esse que me afugenta as ideias e os pensamentos,

                               E se crava no meu peito!

Parem o Tempo!


Parem o tempo, já não aguento mais!
Deixem-se de politicas e acordos!
Deixem-me acordar cedo!
Quero acordar e que cada ¼ de segundo me bata nas pálpebras
                                               E me acorde de mansinho!
Parem lá em cima de me incomodar!
Só quero desfrutar deste acordar;
Acordar do sonho e da fantasia,
                               Deixem que a realidade venha devagar.
Deixem o meu pensamento arejar.
Dêem-lhe espaço!
Assim que os meus pés toquem nos chinelos e comece nos lentos passos,
Deixem-me! Deixem-me e paz!
Não quero impregnar-me  de imundícies e pesquisar em índices de alas psiquiátricas
                               Institucionais e governamentais!
Deixem-me incorrer em enganos gramaticais e sacudir os braços nos dias de greve!
Corram daqui! Pensamentos menos próprios para uma cidadã do mundo.
Fujam de mim, que ainda só acordei à 1 hora e já lavei a cara!
Deixem-se de constitucionalidades e burocracias desmedidas!
Parvoíces de quem não sabe que faz!
Por isso mesmo! PAREM!
Deixem-me ser o que sou! Gratifiquem-me por pertencer a esta vida!
Gozem aquilo que quiserem, mas não se metam comigo!
Corro com vocês hasteando a minha bandeira e a minha verdade.
Fecho a porta e sento-me a contemplar a vista sobre o mundo.
Eles já foram. Estou só.
                               Estúpidos!
Se ao menos me tivessem trazido café…
                               Ora, chega a minha hora do bálsamo!

Da alma, do corpo e do espírito!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Na tua Ideia


Não sou nada!
Mas sou tudo aquilo que tu queres que eu seja!
Eu para ti vou ser só isso!
Aquilo que tu queres!
Não consigo alterar isso em ti!
Sou a minha primeira impressão!
Não consigo negar esse meu destino sobre ti.
Todo o teu desenvolvimento de ideias
 encadeadas com a circunstância do encontro,
são pré-definições encontradas com o reconhecimento da minha cara.
Quem me dera poder alterar esse teu querer de mim!
As divindades celestes não me concederam esse dom!
Infelizmente vivo com esse meu ser encalhado em ti.
Continuo a viver à margem da minha projeção,
Ao lado daquilo que vês!
E pobre meu ser, que mesmo sabendo o seu destino
Não te deixa de querer!

domingo, 29 de junho de 2014

Sentir o humano!



Engraçado ver toda a sinergia humana e como de fora as trocas são tão entusiasmantes. Parece quase um jogo de ténis dinâmico e cheio de variáveis contingenciais. Soberbo isto de ser alguém. Melhor, soberbo de sentir que somos alguém, e que pelo menos temos esse conhecimento de ser alguma coisa. Uma matéria composta de tecidos e uma quanta tralha pesada.

J.Hope

Castelos de Areia


Porque tudo aquilo que tocas se torna em areia.
Transformas a própria estrutura em disformidade.
Recolhes sobre ti espécies do tamanho da imensidade
da tua visão periférica.
Triste,
Choras lágrimas de água selvagem
Que lavam as margens do meu ser.
Do ser que se aloja em mim, e que me não pede permissão,
Que tu sem que me haja antemão,
Arremessas para longe!
Sem dó nem preocupação!
As tuas mãos de tanto destruir
Tornaram-se em osso prestes a cair!
Desfazes-te, tal como tudo que dizimas.
Mas proferes heresias às minhas rimas!
Que não são mais do que obras pensadas e ensaiadas,

Feitas à tua imagem e autoria. 

J.Hope

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Tua Influência


O efeito que tens sobre mim excede qualquer ideia,
Qualquer que seja a minha vontade e qualquer que seja a minha acção
Ages sobre mim e torno-me como um vulcão.
Este andar no fim da linha é inseguro,
Tremo por poder cair para o outro lado,
Lado dominado pela tua tensão e pela tua acção.
Não sei lidar com essa tua atenção,
                Ou falta dela.
Sou ou não um pêndulo do tempo na tua mão?
A passagem do tempo traz-me uma emoção,
E uma leve sensação de pertença,
De existência nesse teu mundo por descobrir.
Vaguearei por essas tuas ruas de racionalização?
Ou tudo isto não passou de uma má indicação,
De uma rua que tomei por falta de atenção,
E vim dar ao cais do mundo.

Cais longe da solidão. 

J.Hope

sábado, 10 de maio de 2014

O que é ser sensacionista?


Isto de ser sensacionista é mandar-me descrever numa forma descritiva detalhada
Este meu viver de ser racional! Ou emocional!
Ter prazer de não pestanejar para não perder o espectáculo que é viver!
Ou de se pensar que se vive!
O facto é que se vive, e que se pensa!
Pelo menos nisto das sensações! E das emoções também!
-Como?
Sim! É isso, pensar nas sensações e quais as emoções!
-Mas quais?
Pois, isso será contigo e com os deuses! ( ou com o diabo)
 -Bom mas então vives ou vais sobrevivendo?
Ainda estou a descobrir, este meu arfar de pessoa tapa-me a audição!
E como nunca fui dotada de visão e tacto fico-me pelo olfato e palato!
-Diz-me o que até agora aprendeste?
Muita coisa de tudo, e foi como um desaprender de tudo um pouco!
-Foi bom esse teu evoluir! Aprendes-te a desaprender!
A criar em mim ilusões! Issa é a minha aptidão. Sou como uma artesã,
Cria a partir de um pequeno pedaço de cortiça a grande pintura.
-Transfiguração, falas?
                -não é a minha voz! E a minha razão!
-Mas é razão ou sensação? Ou emoção?
É cada coisa ao seu tempo. E Às vezes nada!
-Então és tu e não és tu, que te perdes de “tu”?
Sim, é essa a minha definição de sensacionista e projetista!
Projetista de ideias e sonhos e casas e muros….
-Crias um mundo?

Sim daqueles  divergentes!


J.Hope

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Sensações




Fraqueiam-me os braços,
Que com o vento ganham movimento.
Deixo que o sol se deposite em mim,
Que o suor escorra de mim,
E se deposite neste oco pedaço de pele no pescoço.
Inspiro como se da ultima braçada se tratasse.
Sinto como me clareia este oxigénio,
Vejo como me inunda os vasos que lentamente se dilatam.
E relembro essas tuas mãos que fazem crescer monumentos.
Penso em  como seria bom tocar-lhes!
Só de pensar, o nó do peito ata mais forte ,quase a dilacerar!
Imagino o teu toque em mim e como as tuas mãos percorreriam o meu corpo.
Com os dedos, levemente desde a testa até aos braços!
Assim sentados lado a lado. Corpo com mãos! Com as tuas mãos!
Sinto a pele a ferver com a pureza do teu toque.
Semicerro os olhos e com o sol de fronte, vejo-te!
Bate-me agora uma brisa mais forte, embala-me novamente os braços.
E num movimento desenfreado treme-me o lábio
A vista ajusta-se e fico só!
Vem novamente o vento que calmamente toca sob as folhas,
Passa-me na face e seca-me o suor e traz-me ar.
Inspiro e expiro o que me é concedido.

Júlia.Hope

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Nada Sei!


Tenho a leve certeza de que nada sei.
Que de tanta rotatividade e translação
                me perdi algures;
Entre o meu e o teu mundo,
Entre verdades e falsidades.
O entrelaçar do vento em mim é ignição,
De breves fumos e portos seguros.
Que  dispostos chegam a romper
Com esta minha inercia.
Esta energia perdida ao longo do meu corpo
                Ao longo dos meus braços
                Ao longo desta linha de alma.
Não tenho bases firmes nem ideia certas;
Nego a exactidão
E expulso a emoção da fibras que me compõem.
Concordo com errantes
Que tal como eu vagueiam na vida,
Que num outro passado, e tal como eu, foram exasperantes.
Exasperaram da vida e dos outros, de eu e de mim.
De tanto elevar este progredir
Fomos, eu e eles, parar onde estávamos.
Sentados, inclinados sobre qualquer coisa
Pensativos pela vida.
E a olhar via a disputa acesa entre a minha vontade e a necessidade,
Combatiam freneticamente , incessantemente
E desistiam facilmente.
De nada vale lutar por aguas contrárias,
De mares e marés pendulares.

Fico assim igual, sem verdades.

J.Hope

Aceitação Um Dever Cívico!



       A aceitação é um dever cívico. Não devemos refutar a ideia de aceitar qualquer coisa, um evento, uma pessoa ou uma atitude. Não devemos formular qualquer tipo juízo de valor, é incorreto. Assim estamos a bloquear a aceitação. Podemos ter o caso de tanto acreditarmos nesses juízos de valor, que essas ideia pré-concebidas tornam-se numa falsa verdade. Devemos, então, analisar bem as nossas premissas e decifrar a veracidade das mesmas. Estamos perante uma aceitação verdadeira ou estamos convencidos que  aceitamos algo?
    Torna-se complicado distinguir estas duas, mas uma analise mais atenta de nós próprios e dos nosso pensamentos irá ajudar a revelar a veracidade e o grau de aceitação. Contudo é uma ideia irrealista descartar desta equação os outros. Eles desempenham um papel muito importante. Impõe-nos limites. E não é só a nós, mas também aos nossos pensamentos. É preciso ver o quanto estes “outros” nos podem ajudar. Talvez no inicio não seja claro, mas com o desenrolar do tempo é necessário estarmos atentos, pois são eles que nos vão dar dicas de como nos devemos analisar.  Não basta estarmos atentos, temos que estar presentes no momento. Isto é, aceitar o momento em que fazem parte o “eu” e os “outros”, e que nos relacionamos de uma forma própria, e que esse relacionar , numa visão atenta, dá-nos dicas de como nos devemos relacionar connosco mesmos. Ou seja aceitar-nos.
É um ciclo de trocas e com efeito bola de neve.
Devemos, pois, aceitar. Podem dizer que a teoria é de facto fantástica mas que a sua aplicação é mais difícil. -Concordo! Ninguém falou aqui em  facilidades. -Temos é que saber recompensar-nos em cada  passo que damos para o nosso progredir. Pode ser difícil, sim  aceitamos esse nível de exigência. Mas sempre que entendemos essa dificuldade ou esse obstáculo, temos que nos recompensar, porque acabamos de dar mais um passo, reconhecemos algo que nos incomoda. 
Excelente!
     O próximo passo é entender o porquê de nos incomodar. Aqui é muito importante a calma e paciência. Vai ser necessário pormo-nos no lugar das outras pessoas e entender a parte delas. Não podemos esperar respostas nesta fase, temos que ser nós a formular hipóteses. Hipóteses realistas, fase em que não nos devemos levar por extrapolações nem por pensamentos muito negativos nem mesmo muito positivos. Temos que ter frieza e a objetividade para a sabermos  formular as tais hipóteses.
Depois disso vamos ver que gradualmente o obstáculo que no inicio era do tamanho do Adamastor, agora é mais do tamanho de um muro que ladeia uma casa. E eis que começamos a aceitar. A redução do Adamastor a um muro é o inicio da nossa aceitação. É quando começamos a testar cada uma das hipóteses, tal como num estudo cientifico, que devemos estar atentos às variáveis, “eu”, “outros”, “mundo” e a relação entre cada uma delas. E gradualmente vamos eliminando as hipóteses, até ao ponto de nos esquecermos delas.
      O quê?
     Sim é verdade, vamos esquecendo o que nos levou até aqui. Não é amnésia que falo, é aceitar. Porque aquilo que nos incomodava já não nos diz nada, pelo menos não é para nos uma fonte de energia e pensamentos negativos.  Porque aqui aceitamos tudo aquilo o que aconteceu. E  tudo o que teve a ver com o obstáculo inicial, no futuro, será  como que uma arvore na beira da estrada. Sabemos que está la´, passamos por ela todos os dias, até podemos apreciar a beleza da arvore, mas passamos e continuamos a nossa vida sem que a arvore se torne o foco dos nossos pensamentos.


Aceite!

J.Hope

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Diálogos Desconexos


Criei contigo formas e conversas,
Diálogos desconexos e excitantes.
Cheios de sonhos e verdades, de realidades
Compartilhadas , sentidas.
O peso do mundo e os meus medos.
Senti em ti a fuga e todos os remoinhos sociais
A escoarem ante o pasmo de mim própria.
Drenaste, sem esforço essas vicissitudes  e clareaste os meus muros.
Rompeste com as minhas ideias e soltaste-me os braços,
Que de tão laços de viver sem conformidade, se moviam descompassados.
A minha pouca instrução nunca te tirou pesar, nunca te fez parar.
De tão solta que ia, não conseguia ajustar a minha visão.
Quando ao mundo os meus olhos se adaptaram, e acordei por fim,
Vi que não passara de um sonho! Uma epopeia de puras verdades,
Despedaçadas e rompidas com a mitigação do racional.
Com o desfasamento do instantâneo em pedaços do mundo.
Vi que nunca mexeras esses teus lábios,
Nunca eles pensaram em referir este meu ser, carnal e corporal!
Cheio de incompreensíveis missivas e hipóteses.

J.Hope

Noite Adormecida




Noite adormecida que ao meu colo chegas.
Subiste o desfiladeiro e  apresentas-te com a face cheia.
Trouxeste contigo as estrelas e cometas, que cruzam
Sob o meu olhar desatento da tua luz.
Corpo de luz que incitas em mim as altas literaturas,
E me aborreces a energia potencial das minhas células.
Pegas nos meus braços moles e traças, maquinalmente,
Um gesto de  derrota!
Derrota do dia que passou, derrota da tua chegada e da minha partida!
Menos uma noite que vou viver,
Sem te ver!
Porque quem me fez não consentiu que fosses tu a acordar-me!
Deixo-te por fim na tua posição, a de seres assim,
Como que um sol mais ilustre de bons modos!

Boa noite escuridão. 

J.Hope

Este Mundo Curioso





Curioso pensar neste mundo de conexões, e como a magia humana se coaduna num mesmo espaço e se vive sem viver e sem conhecer. Talvez esta condição de humana racional não seja assim tão má e desagradável como nos aparenta. Encerra em si um charme de misticismo e conectividade que transcende qualquer máquina, e que permite que pequenas ligações de breves segundos, sejam como que um sopro para a nossa alma. A despersonificação de cada estimulo que recebemos é deveras um ato de tão complexo em si, que aqueles que o tentam descodificar, ficam como que drenados num tão elevado nível, que concluem que o melhor é fazer como os outros. Aceitar esta condição imposta pelo nosso nascimento, e que mais ninguém pode ultrapassar por nós, que nós próprios- aquilo que nós somos e a nossa natureza. 
O primeiro passo está assim dado, o de aceitar. 

J.Hope

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Meus Limites



Por saber meus limites,
Por saber o quanto cumpro,
Por saber o que poderá ser o futuro,
                Não cumpro nada do que me dizes!
Socorro-me de antemão
                De algo, como a solidão.
Ajusto-me ao espaço reduzido
Aceito com afinco o que me foi concedido,
                (Por deuses talvez?)
E em contramão me auxilio,
Desta corrente de gente
                Deste murmúrio vazio
Da voz, creia eu, do coração…
                Mas não,

É a voz firme da razão!

J.Hope

Be Patient!


terça-feira, 8 de abril de 2014

Convencer-te!


Como posso eu com o meu simples dizer,
A ti te convencer
De que a minha missão não é a de te entristecer
Mas a de te querer!
O mais fundo de ti quero conhecer.
Nos teus sonhos e preocupações emergir.
Como quando com os teus dedos penteias os teu cabelos.
Mas as desilusões e desamores é melhor limitá-los
Não quero sentir ódio e ciúme de quem o rosto não conheço.
Conversa flutuante, que no seu conteúdo oco,
Diz com os nossos movimentos do corpo
O miolo.
Talvez aquele olhar tenha sido o mais puro dos prazeres.
Mas tenho que te dizer,
Que por mim e por ti é melhor te descomprometeres,
Daquilo  a que os outros gostam tanto de crer.
Crenças ou preconceitos!
Mas é melhor teres o preceito
De rapidamente desfaze-los!

Porque se é para acontecer-mos então é melhor descre-los!

J.Hope

sábado, 5 de abril de 2014

Overthinking -Pensar Custa! - J.Hope




Isto de ser humana é complicado e infelizmente ninguém se lembrou de nos dar um manual de instruções assim que nascemos. Seria mais fácil de nos entendermos. Isto de ser uma rede complexa de pensamentos em cascata, e de ficar triste ou contente por um leve pensamento que se lembrou de passar à frente do nosso consciente, não dá com nada. Epa, eu aceito que eles (pensamentos) precisem de espairecer, mas que não me venham dar cabo do negócio! Porque afinal eu tenho uma vida para fazer! Tarefas a cumprir, arrumar a casa, estar com amigos, etc. Entendo também que esses pensamentos façam parte da nossa vida interior ok! Mas não estraguem a vida “exterior”!
Complicada esta vida de pensar! Podem vir os críticos dizer que não faço nada e que sou preguiçosa e tal! Epah então que experimentem ser eu por um dia! Gostava de os ver! Passar o dia a híper-racionalizar as tarefas básicas da vida! Pensem lá no processo de respirar e em todos os processos físicos e químicos que o nosso corpo experimenta! Pois, agora imaginem na quantidade de estímulos que nos chegam pelos nossos sentidos, e agora pensem na racionalização de cada um deles. Pois!
Isto de ser humano é perigoso! Leva-nos por caminhos muito pouco sãos. -Faz com que duvidemos das nossas capacidades, e num determinado ponto fazem com que duvidemos dos nossos sentidos. A extrapolação da realidade para pensamentos mais favoráveis ao nosso ego é uma questão muito dúbia. E ao mesmo tempo necessária para a nossa auto-confiança. Um ponto fundamental para nos levar a agir de acordo com aquilo que nos faz feliz, ou num outro nível, que sei que há pessoas que gostam de sofrer, que nos faz sofrer. 
Mas incorremos no risco de criar um espaço tão favorável ao nosso ego ou a nós, onde invariavelmente vamos ( com toda a certeza) carregar nos elementos criados pelo nosso inconsciente, e consequentemente criamos expectativas muito altas. Isto é, sonhamos muito alto. Não que o sonho deva ser reprimido. Pelo contrário deve ser estimulado, mas não de tal forma que se criem imagens que apesar à luz do nosso inconsciente sejam plausíveis de acontecer,  são na realidade algo que se encontra nas percentagens reduzidas da realidade mundana.
Não devemos acreditar a 100% naquilo que ele nos diz. Melhor! Não devemos acreditar naquilo que o nosso inconsciente nos diz e que o nosso ego nos diz. Ok!
                           Impossível!
Fogo para nós!
Infelizmente precisamos dos dois. 
                                      Fogo!
Era tão mais fácil preparar uma emboscada a estes dois e aniquilá-los de uma vez por todas. Mas não! Lá em cima quem nos criou fez questão de por estes dois connosco, e a ver se te avias!- É porque precisamos de um para não morrer a cada bater do coração e cada passo, e do outro para podermos evoluir  com confiança em nós.
O problema que talvez não tenha sido previsto é quando exageramos nestes dois! Pois! “Não têm por aí uma garantia para trocar estes dois? É que os meus vem com defeito!”
-A complexidade humana há-de ser sempre muito mais complexo do que a própria complexidade em si. Se juntarmos a isto, a verdadeira crença que toda a gente é diferente, - é o forrobodó da diversidade humana! Gente diferente num mundo em constante transmutação onde as variáveis mudam a cada segundo e onde os factores ambientais, também eles diferentes ,tal como é o pedaço de terra pelos nossos corpos ocupados.

Só nos resta aceitar e ir em frente. - Como diz a música “deixa acontecer naturalmente”.


J.Hope

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Tenho Tanto Sentimento



Tenho tanto sentimento 
Que é frequente persuadir-me 
De que sou sentimental, 
Mas reconheço, ao medir-me, 
Que tudo isso é pensamento, 
Que não senti afinal. 

Temos, todos que vivemos, 
Uma vida que é vivida 
E outra vida que é pensada, 
E a única vida que temos 
É essa que é dividida 
Entre a verdadeira e a errada. 

Qual porém é a verdadeira 
E qual errada, ninguém 
Nos saberá explicar; 
E vivemos de maneira 
Que a vida que a gente tem 
É a que tem que pensar. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Nada é Certo!




Nem tudo o que nos dizem é certo. Nem tudo o que acreditas é. Nem tudo o que nos é negado é realmente impossível. Nem tudo o que tu vês é a leve certeza da elementaridade da vida. Nem tudo o que os teus amigos te dizem é para te confortar. Nem tudo o que os teus pais te ensinaram te serão úteis em alguma etapa da tua vida. Nem tudo o que é barreira é obstáculo e nem tudo que lês é a certeza de quem escreve. Mas acredita que a tua verdade agora é bem diferente da de amanha, e que não podes fixar-te nem fixar ninguém a bóias por ancorar. E que é bem melhor viver com a ideia de sermos como que uma bolha volátil que a cada parede que encontra se molda, e vive uma nova realidade a cada pancada. Do que um tronco de uma palmeira no meio de um qualquer deserto.

J.Hope

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A Tua Fúria





Viras o passeio e contornas edifícios,
Foges de concentrações,
E morres de ilusões.
Confias em olhares errantes
E bates à portas de mercantes.
Sonhas naus e mares
Afugentas com os pés.
Escondes-te de princípios
E brames aos precipícios
Um conjunto de indícios
Da tua loucura convergente
Da tua astucia maquinal
Do teu medo do mal
E da tua saturação mundial,
De pessoas, ideias e prazeres.
Deitas fora as tuas mágoas
E ajeitas com as tuas mãos
As tuas próprias tábuas.
Recompões-te daquilo que foi dito

E voltas para o teu lugar de gabarito.


J.Hope

sábado, 29 de março de 2014

Podes gostar de mim sff? - Inesperado.org


Podes gostar de mim sff?

O que nos faz gostar de uma música?
O que nos faz gostar de um livro, de um sítio, de uma comida?

É difícil dizer o que é. Podemos tentar mergulhar na nossa infância, pensar na influência dos pais, reflectir em experiências marcantes, mas nunca percebemos inteiramente o porquê. Simplesmente gostamos.

Ao mesmo tempo que gostamos de algumas coisas, também não gostamos detodas as coisas.
Não se gosta de todos os livros, não se gosta de todos os sítios, não se gosta de todas as músicas. Há sempre algum que preferimos. E para quem diz “Ah, eu gosto de todos os tipos de música”, basta fechar essa pessoa numa cave durante 2 horas a dar punk gótico aos berros, para ver quem gosta de tudo.

Há por isso coisas que gostamos mais, e outras de que não gostamos. Isso é natural. Isso não nos causa confusão. Contudo, é curioso ver como isto muda quando falamos de pessoas.

Há quem sinta uma aflição quando percebe que não gosta de alguém. Isto porque achamos que a coisa mais natural é gostar espontâneamente de toda a gente, e quando isso não acontece, sentimos que alguma coisa está errada. Mas não está.

Tal como não gostamos de todos os tipos de literatura, não gostamos de todas as pessoas. Não temos que nos preocupar com isso. E não temos que nos preocupar porque não gostar de uma pessoa não quer dizer tratá-la mal. Podemos não gostar de alguém e tratá-la bem na mesma.Aliás, isso é um alívio especial no mundo do trabalho: não precisamos de gostar de toda a gente (nem do chefe chato, nem da Sónia da contabilidade). Mas isto não quer dizer que não sejamos bons profissionais.

Na realidade, o mundo ficaria a perder se apenas tratássemos bem as pessoas que gostam de nós. Curiosamente, na maior parte das vezes, as pessoas mais difícieis de gostar são as pessoas que mais precisam.
Contudo, o oposto também acontece. Há pessoas que não gostam de nós.Não é preciso serem pessoas com a mania da conspiração. Simplesmente não gostam de nós, com a mesma naturalidade com que não gostam de puré de batata.

Há quem fique verdadeiramente incomodado quando percebe isso… ainda para mais porque puré de batata não é assim tão desagradável. O que normalmente acontece é tentar agradar a todo o custo à outra pessoa – quase implorando que goste de nós – ou ficar tremendamente indignado com o facto de não sermos gostados… Como é que eu, ser humano magnífico, não tenho a adulação desta pessoa! Ahhh escândalo!

Mas nada feito. Apesar de todos os esforços ou irritações, o outro simplesmente não gosta de nós. O que podemos então fazer?
A resposta é simples: devemos ficar muito agradecidos.

Se formos o que é suposto sermos – com toda a autenticidade e radicalidade que isso implica – vamos necessariamente chocar com outras pessoas. Vamos ser diferentes do que elas gostariam que fôssemos. Vamos ter visões diferentes do mundo e vamos fazer escolhas diferentes.

E isso é motivo para estarmos agradecidos. Não só porque a diversidade é uma riqueza, mas porque é uma coisa terrível ser alguém de quem toda a gente gosta. Porque para isso acontecer é preciso estar sempre a mudar para agradar a toda a gente. É preciso ter 100 máscaras diferentes. É preciso deixar de ser autêntico e passar a ser um personagem inventado. Personagem que por ser inventado não consegue ser feliz.

Da próxima vez que não gostarmos de alguém, da próxima vez que alguém não gostar de nós… não nos vamos preocupar.
Vamos antes ficar agradecidos… tanto que certamente haverá alguém que gosta de puré de batata.

terça-feira, 18 de março de 2014

Fique com os Kings Of Convenience - Misread - Boa Noite


Tu não és especial - Inesperado.org


Tu não és especial



Apesar dos miminhos que recebeste dos teus pais, apesar de teres amigos que se riem das tuas piadas e apesar de já teres passado por muita coisa… não caias em ilusões: tu não és especial.
Não és especial porque andaste naquela universidade ou tens aquele trabalho. Não és especial porque tens boa aparência ou porque há alguém que gosta de ti.



És apenas mais um em 7 biliões, por isso escusas de andar por aí como se o mundo te devesse alguma coisa. Essa cara de vinagre fica-te mal, e esse ar só estraga o ânimo à malta. A sociedade não te deve um trabalho, a família não te deve uma casa e os teus amigos não te devem atenção. Nada disso: o mundo não te deve nada, és tu que deves muito ao mundo.


Deves ao mundo o teu tempo, energia e inteligência. A tua melhor intenção e o teu melhor empenho.
Trabalhar porque acreditas que o teu trabalho é importante, não porque tens um estatuto a manter. Estudar pelo entusiasmo de aprender e não apenas para passar nos exames. Namorar porque adoras a pessoa que está contigo, não porque não aguentas estar sozinho. Viajar porque queres viajar, não para teres fotografias para mostrar. Cuidar bem dos outros porque queres o bem deles, não para provares que és bonzinho.

Podes tentar fugir disto, claro. Podes ficar escondido atrás das cortinas e lamentar-te de todas as dificuldades que tens pela frente. Podes ficar à espera que alguma coisa te venha salvar…mas no fim tens apenas que decidir uma coisa:o que vais fazer com cada hora do teu dia?
O que raio vais fazer da tua vida?

O mundo precisa de ti. E tu precisas de viver o melhor que tens.
A tua vida é demasiado importante para depender de te sentires especial.

O caminho vai ser longo e difícil. Vais ser criticado e vais falhar… mas se apesar de cada falhanço, cada crítica e cada sofrimento continuares a dar o teu melhor… então é porque te tornaste em alguém especial.

I don’t Care





I don’t care what you have!
I don’t care what the others might think!
I don’t care how old are you!
I don’t care about your money!
I don’t care about your position in the business world!
I don’t care if you think that I might be childish!
I don’t care if you came from a different background!
I don’t care if you don’t drink coffee!
I even don’t care if you loved someone else!
                If you have feelings for other person!
                If i am not the most important person in your life!
                And even if I don’t occupy your mind!
All those things I don’t care!
What I care is what you are with me
-The person you let me see
-The world you telling me
-The thoughts you have for me.
What I care is the present !

                You and me!


J.Hope

segunda-feira, 17 de março de 2014

O que é a Vida? - Carlos Drummond de Andrade



“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” 
Carlos Drummond de Andrade

Ray LaMontagne - Let It Be Me

Para terminar o dia uma música para aconchegar o espírito.
Ray LaMontagne - Let It Be Me


O Prazer de Deambular - J.Hope




Que bom deambular
Ter o prazer de encontrar estranhos e, 
De neles encontrar
Algo de mágico, difícil de explicar.
Sentir o que eles vêm 
E ver o que eles sentem.
Encontrar em cada olhar de quem passa
Um prazer
Carnal ou emocional.
Indício de vida, 
Que se me apresenta fatal.
Mas com a devida astucia e muita dúvida,
Se torna banal….
O que é isto, pois afinal?
Não sei talvez o final….

J.Hope

Oscar Wilde - Be Yourself






sexta-feira, 14 de março de 2014

Boa noite com Ed Sheeran - The A Team

Uma música bastante conhecida e é daquelas que ninguém se chateia de ouvir repetidamente.
Ed Sheeran - The A Team


Envelhecer


Human Condition in a Poem

Um video com uma mensagem ,sob a forma de poema,muito forte.
My Call For Humanity || Spoken Word 


Aceitação - J.Hope



O conhecimento da matéria como ela é, é o inicio da aceitação. É o que acontece com os objetos, como as pedras. Sabemos o que é uma pedra, porque a tocamos, cheiramos e a vemos. Sabemos que as vamos encontrar nas estradas, no mar e de vez em quando no sapato. Sabemos onde as podemos encontrar, e não dedicamos muito tempo da nossa vida a debater muito as questões da existência de pedras. Talvez para um pedreiro não o seja, mas para os restantes é algo de banal. Não pensamos nelas como pensamos no trabalho ou mesmo quando pensamos no que vamos comer. Aceitamos a sua presença, aceitamos a sua matéria dura e inanimada, bela e banal. E sim é isto. Isto que deveríamos fazer com todas as contradições da nossa vida. Aceitar a sua matéria. Reconhecer a sua existência, e não fazer dela o tempo de  antena dos nossos pensamentos. Claro que devemos saber a existência deles, como é bom saber que há mais pedras na nossa praia preferida,  e será melhor,  nessa situação levar uns chinelos mais resistentes ou ir a outra praia. Tal como é bom saber quais são recursos que devemos aplicar à resolução de um problema, mas tal não deverá ser o foco da nossa atenção. Certo ,como não estamos 3 dias taciturnos  a pensar qual a melhor solução levar uns chinelos mais resistentes ou ir a outra praia.  “Muito bonito, mas nem todos os problemas são comparados com o dilema dos chinelos!” – Reclama o leitor mais atento. E eu concordo com esta objeção. Mas temos que saber reduzir as projeções dos nossos problemas. Tal como um doente com cancro, sese mantiver focado no seu problema só vai fazer agravar o seu estado. Daí que os doentes que conseguem combater esta doença sejam propulsores ávidos de energia, de novas campanhas de sensibilização de cancro e de mudança de vida. E para quem conhece estes lutadores sabe que são diamantes de energia e de aceitação. Por muito difícil que fosse a doença, aceitaram o seu problema e diminuíram as suas projeções mentais da negatividade, extrapolaram, sim um outro lado mais positivo. E, felizmente, superaram a doença. Sim a historia das pedras pode ser ridícula quando comparada com a do cancro. Mas no seu âmago existem uma quantidade interminável de ligações.

1º Ver, tocar, cheirar, saborear- a pedra
2º Saber a sua existência
3º Aceitar a sua existência
4º Saber as hipóteses e recursos que possuo- chinelos ou outra praia
5º Diminuir as suas projecções- “se calhar vou mas é a outra praia!”
6º Extrapolar o que realmente o faz sentir bem –“a outra praia até tem uma barraca de gelados!”


SEJA FELIZ

quinta-feira, 13 de março de 2014

Boa Noite com Ani Difranco

Hoje não vou publicar mais do que esta fantástica música. Boa Noite com Ani Difranco - Overlap


quarta-feira, 12 de março de 2014

Stop Thinking - Eckhart Tolle







“Not to be able to stop thinking is a dreadful affliction, but we don't realize this because almost everyone is suffering from it, so it is considered normal. This incessant mental noise prevents you from finding that realm of inner stillness that is inseparable from Being.”



Eckhart Tolle

Tradução - Save the Humans - J.Hope


Tradução à margem da folha,
Como um anotamento pontual casual
Indicando sem qualquer rigor
O mundo cravejado de pudor
De crenças e ideias,
Como uma encenação teatral
Onde o público de pé aplaude o que fora ideal,
Mas que com o vil ser
Depois do espetáculo acabar,

Retoma ao seu mísero viver.
J.Hope

Música da Noite

Uma música encantadora, reconfortante ideal para o final do dia. Soko - We Might Be Dead By Tomorrow




terça-feira, 11 de março de 2014

Música da Noite - Parte 2

Pela segunda vez vou publicar mais uma música. Hoje a noite inspirou-me e não queria que o leitor ficasse mais algumas horas sem conhecer esta música. Ligue o som, clique no play e deixe-se embalar por Wolf Larsen, numa música calma e não se preocupe que hoje os pesadelos e as insónias deixarão o leitor em paz!


Livre-se do perfeccionismo para ser feliz - Vida Simples



Livre-se do perfeccionismo para ser feliz 


A mania do perfeccionismo pode atravancar sua vida. Fique atenta aos seus ideais e tire do caminho esse obstáculo para viver bem Publicado em 14/07/2010

Liane Alves 
Edição 0095




Vale lembrar sempre que é impossível manter todas as áreas da vida sob controle

Foto: Daniella Domingues

Sem perceber, podemos estar nos esforçando para cumprir modelos impostos que exigem perfeccionismo. O problema é que a perfeição é uma moeda escassa nesse mundo naturalmente imperfeito. Além disso, nos esquecemos que é impossível manter todas as áreas da vida sob controle. Um corpo em dia não vai garantir relacionamentos amorosos, um emprego ideal ou a casa na praia não são sinônimos automáticos de felicidade. Este é o mecanismo perverso dessa história: a perfeição, mesmo quando atingida, só nos chega aos pedaços.

Dentro do pacote

Segundo a psicoterapeuta Regina Favre, duas doenças contemporâneas testemunham nossas reações diante do desafio da perfeição: a síndrome do pânico e a depressão. "Se prenuncio que não vou conseguir atender ao padrão de exigências estabelecido, começo a entrar em ansiedade e, depois, em desespero: é o pânico que chega. E se, ao contrário, dou conta de cumprir o que é proposto pelo mercado, posso ser tomado pela depressão".

E por que desejamos a perfeição de maneira tão obsessiva? "Há o mito construído de que se não formos perfeitos, jovens e belos seremos excluídos. É esse o fantasma que nos ameaça: sermos jogados fora do mercado, seja profissional, seja sexual ou produtivo".

Esquecemos algo fundamental: que sofrer, arriscar-se sem garantias e provar sentimentos de perda ou falta fazem parte da riqueza de experiências que a vida nos proporciona. O resultado? Ao optar pelo controle que vem atrelado ao desejo de perfeição, ficamos cada vez mais hesitantes em experimentar verdadeiramente o sabor da vida, com suas imprevisibilidades, erros e acertos.

A boa notícia é que uma vigorosa contracorrente a esse tipo de pensamento já está presente há uns 30, 40 anos na sociedade. "Ela questiona esse estilo de vida rigidamente perfeito. Emergem novos tipos de valores que incorporam conceitos como o desapego e a noção de impermanência, por exemplo", explica Regina.

Essa nova atitude começa com o respeito ao próprio corpo. Ser responsável pela própria saúde, pelos alimentos que consumimos, pelos ritmos internos e necessidades pessoais é uma nova posição de vida, mais consciente e individualizada.

E começa a revolução

O psiquiatra José Ângelo Gaiarsa sempre criticou o que nos é imposto pela sociedade. Ele coloca em dúvida nossa capacidade de fazer julgamentos justos ao avaliar a perfeição. "Não temos condição de nos julgar, ou de nos condenar, com isenção. Tenho alergia a palavras como ideias, conceitos, que não dizem nada e só aumentam a nossa confusão. Já o corpo não mente jamais". Segundo Gaiarsa, a grande revolução começa ao sentirmos mais o nosso corpo. Isso significa respirar melhor, movimentar-se livremente e experimentar toda a gama de sensações que os sentidos podem nos oferecer.

Com esse conhecimento, abre-se o espaço para uma nova consciência, mais independente e autônoma. E Gaiarsa explica como e por quê. "Ao respirarmos mais profundamente, o raciocínio torna-se claro, as conexões cerebrais se ampliam", afirma. "Não temos ideia de como a simples respiração pode nos ajudar a nos libertarmos dessas emoções negativas, como a inveja e a competitividade, e do domínio que elas nos impõem", diz o pesquisador.




Aproveite o lado bom do desejo - ilusório - de perfeição

Foto: Daniella Domingues


Quando vale a pena

Depois que limpamos bem esse terreno, podemos ver que o desejo de perfeição também tem a sua utilidade. Os grandes gênios da humanidade se alimentaram dele: Michelangelo, Da Vinci, Einstein. Nada garante que fossem mais felizes ou realizados, mas a verdade é que, em vez de procurarem unicamente sua felicidade individual, colocaram seus talentos a serviço de algo maior, às vezes em detrimento de sua saúde, sanidade ou realização afetiva. Almejar a perfeição, portanto, pode nos levar a grandes realizações e a um aperfeiçoamento constante. Mas por vezes o preço é alto.

"Sede perfeitos, como o vosso Pai do céu é perfeito", nos diz o evangelho. Em vez de apresentar um modelo rígido, as palavras de Cristo propõem um exercício de humanidade naquilo que temos de melhor: a capacidade de amar, perdoar e praticar a generosidade - inclusive consigo mesmo, no caso de erro e falta. Por isso, o desejo de perfeição não é, por si só, ruim. Não se encarado dessa maneira generosa. Nossa grande questão é, e sempre vai ser, onde vamos colocar esse desejo

Poema para a Noite - Álvaro de Campos

Dois Excertos de Odes(Fins de duas odes, naturalmente) 



Vem, Noite antiquíssima e idêntica, 
Noite Rainha nascida destronada, 
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite 
Com as estrelas lentejoulas rápidas 
No teu vestido franjado de Infinito. 

Vem, vagamente, 
Vem, levemente, 
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas 
Ao teu lado, vem 
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas, 
Funde num campo teu todos os campos que vejo, 
Faze da montanha um bloco só do teu corpo, 
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo, 
Todas as estradas que a sobem, 
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe. 
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores, 
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra, 
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora, 
Na distância subitamente impossível de percorrer.
(...)
Vem, Noite silenciosa e extática, 
Vem envolver na noite manto branco 
O meu coração... 
Serenamente como uma brisa na tarde leve, 
Tranqüilamente com um gesto materno afagando. 
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos 
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face. 
Todos os sons soam de outra maneira 
Quando tu vens. 
Quando tu entras baixam todas as vozes, 
Ninguém te vê entrar. 
Ninguém sabe quando entraste, 
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe, 
Que tudo perde as arestas e as cores, 
E que no alto céu ainda claramente azul 
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem. 

A lua começa a ser real.
(...)