sexta-feira, 25 de abril de 2014

Nada Sei!


Tenho a leve certeza de que nada sei.
Que de tanta rotatividade e translação
                me perdi algures;
Entre o meu e o teu mundo,
Entre verdades e falsidades.
O entrelaçar do vento em mim é ignição,
De breves fumos e portos seguros.
Que  dispostos chegam a romper
Com esta minha inercia.
Esta energia perdida ao longo do meu corpo
                Ao longo dos meus braços
                Ao longo desta linha de alma.
Não tenho bases firmes nem ideia certas;
Nego a exactidão
E expulso a emoção da fibras que me compõem.
Concordo com errantes
Que tal como eu vagueiam na vida,
Que num outro passado, e tal como eu, foram exasperantes.
Exasperaram da vida e dos outros, de eu e de mim.
De tanto elevar este progredir
Fomos, eu e eles, parar onde estávamos.
Sentados, inclinados sobre qualquer coisa
Pensativos pela vida.
E a olhar via a disputa acesa entre a minha vontade e a necessidade,
Combatiam freneticamente , incessantemente
E desistiam facilmente.
De nada vale lutar por aguas contrárias,
De mares e marés pendulares.

Fico assim igual, sem verdades.

J.Hope

Aceitação Um Dever Cívico!



       A aceitação é um dever cívico. Não devemos refutar a ideia de aceitar qualquer coisa, um evento, uma pessoa ou uma atitude. Não devemos formular qualquer tipo juízo de valor, é incorreto. Assim estamos a bloquear a aceitação. Podemos ter o caso de tanto acreditarmos nesses juízos de valor, que essas ideia pré-concebidas tornam-se numa falsa verdade. Devemos, então, analisar bem as nossas premissas e decifrar a veracidade das mesmas. Estamos perante uma aceitação verdadeira ou estamos convencidos que  aceitamos algo?
    Torna-se complicado distinguir estas duas, mas uma analise mais atenta de nós próprios e dos nosso pensamentos irá ajudar a revelar a veracidade e o grau de aceitação. Contudo é uma ideia irrealista descartar desta equação os outros. Eles desempenham um papel muito importante. Impõe-nos limites. E não é só a nós, mas também aos nossos pensamentos. É preciso ver o quanto estes “outros” nos podem ajudar. Talvez no inicio não seja claro, mas com o desenrolar do tempo é necessário estarmos atentos, pois são eles que nos vão dar dicas de como nos devemos analisar.  Não basta estarmos atentos, temos que estar presentes no momento. Isto é, aceitar o momento em que fazem parte o “eu” e os “outros”, e que nos relacionamos de uma forma própria, e que esse relacionar , numa visão atenta, dá-nos dicas de como nos devemos relacionar connosco mesmos. Ou seja aceitar-nos.
É um ciclo de trocas e com efeito bola de neve.
Devemos, pois, aceitar. Podem dizer que a teoria é de facto fantástica mas que a sua aplicação é mais difícil. -Concordo! Ninguém falou aqui em  facilidades. -Temos é que saber recompensar-nos em cada  passo que damos para o nosso progredir. Pode ser difícil, sim  aceitamos esse nível de exigência. Mas sempre que entendemos essa dificuldade ou esse obstáculo, temos que nos recompensar, porque acabamos de dar mais um passo, reconhecemos algo que nos incomoda. 
Excelente!
     O próximo passo é entender o porquê de nos incomodar. Aqui é muito importante a calma e paciência. Vai ser necessário pormo-nos no lugar das outras pessoas e entender a parte delas. Não podemos esperar respostas nesta fase, temos que ser nós a formular hipóteses. Hipóteses realistas, fase em que não nos devemos levar por extrapolações nem por pensamentos muito negativos nem mesmo muito positivos. Temos que ter frieza e a objetividade para a sabermos  formular as tais hipóteses.
Depois disso vamos ver que gradualmente o obstáculo que no inicio era do tamanho do Adamastor, agora é mais do tamanho de um muro que ladeia uma casa. E eis que começamos a aceitar. A redução do Adamastor a um muro é o inicio da nossa aceitação. É quando começamos a testar cada uma das hipóteses, tal como num estudo cientifico, que devemos estar atentos às variáveis, “eu”, “outros”, “mundo” e a relação entre cada uma delas. E gradualmente vamos eliminando as hipóteses, até ao ponto de nos esquecermos delas.
      O quê?
     Sim é verdade, vamos esquecendo o que nos levou até aqui. Não é amnésia que falo, é aceitar. Porque aquilo que nos incomodava já não nos diz nada, pelo menos não é para nos uma fonte de energia e pensamentos negativos.  Porque aqui aceitamos tudo aquilo o que aconteceu. E  tudo o que teve a ver com o obstáculo inicial, no futuro, será  como que uma arvore na beira da estrada. Sabemos que está la´, passamos por ela todos os dias, até podemos apreciar a beleza da arvore, mas passamos e continuamos a nossa vida sem que a arvore se torne o foco dos nossos pensamentos.


Aceite!

J.Hope

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Diálogos Desconexos


Criei contigo formas e conversas,
Diálogos desconexos e excitantes.
Cheios de sonhos e verdades, de realidades
Compartilhadas , sentidas.
O peso do mundo e os meus medos.
Senti em ti a fuga e todos os remoinhos sociais
A escoarem ante o pasmo de mim própria.
Drenaste, sem esforço essas vicissitudes  e clareaste os meus muros.
Rompeste com as minhas ideias e soltaste-me os braços,
Que de tão laços de viver sem conformidade, se moviam descompassados.
A minha pouca instrução nunca te tirou pesar, nunca te fez parar.
De tão solta que ia, não conseguia ajustar a minha visão.
Quando ao mundo os meus olhos se adaptaram, e acordei por fim,
Vi que não passara de um sonho! Uma epopeia de puras verdades,
Despedaçadas e rompidas com a mitigação do racional.
Com o desfasamento do instantâneo em pedaços do mundo.
Vi que nunca mexeras esses teus lábios,
Nunca eles pensaram em referir este meu ser, carnal e corporal!
Cheio de incompreensíveis missivas e hipóteses.

J.Hope

Noite Adormecida




Noite adormecida que ao meu colo chegas.
Subiste o desfiladeiro e  apresentas-te com a face cheia.
Trouxeste contigo as estrelas e cometas, que cruzam
Sob o meu olhar desatento da tua luz.
Corpo de luz que incitas em mim as altas literaturas,
E me aborreces a energia potencial das minhas células.
Pegas nos meus braços moles e traças, maquinalmente,
Um gesto de  derrota!
Derrota do dia que passou, derrota da tua chegada e da minha partida!
Menos uma noite que vou viver,
Sem te ver!
Porque quem me fez não consentiu que fosses tu a acordar-me!
Deixo-te por fim na tua posição, a de seres assim,
Como que um sol mais ilustre de bons modos!

Boa noite escuridão. 

J.Hope

Este Mundo Curioso





Curioso pensar neste mundo de conexões, e como a magia humana se coaduna num mesmo espaço e se vive sem viver e sem conhecer. Talvez esta condição de humana racional não seja assim tão má e desagradável como nos aparenta. Encerra em si um charme de misticismo e conectividade que transcende qualquer máquina, e que permite que pequenas ligações de breves segundos, sejam como que um sopro para a nossa alma. A despersonificação de cada estimulo que recebemos é deveras um ato de tão complexo em si, que aqueles que o tentam descodificar, ficam como que drenados num tão elevado nível, que concluem que o melhor é fazer como os outros. Aceitar esta condição imposta pelo nosso nascimento, e que mais ninguém pode ultrapassar por nós, que nós próprios- aquilo que nós somos e a nossa natureza. 
O primeiro passo está assim dado, o de aceitar. 

J.Hope

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Meus Limites



Por saber meus limites,
Por saber o quanto cumpro,
Por saber o que poderá ser o futuro,
                Não cumpro nada do que me dizes!
Socorro-me de antemão
                De algo, como a solidão.
Ajusto-me ao espaço reduzido
Aceito com afinco o que me foi concedido,
                (Por deuses talvez?)
E em contramão me auxilio,
Desta corrente de gente
                Deste murmúrio vazio
Da voz, creia eu, do coração…
                Mas não,

É a voz firme da razão!

J.Hope

Be Patient!


terça-feira, 8 de abril de 2014

Convencer-te!


Como posso eu com o meu simples dizer,
A ti te convencer
De que a minha missão não é a de te entristecer
Mas a de te querer!
O mais fundo de ti quero conhecer.
Nos teus sonhos e preocupações emergir.
Como quando com os teus dedos penteias os teu cabelos.
Mas as desilusões e desamores é melhor limitá-los
Não quero sentir ódio e ciúme de quem o rosto não conheço.
Conversa flutuante, que no seu conteúdo oco,
Diz com os nossos movimentos do corpo
O miolo.
Talvez aquele olhar tenha sido o mais puro dos prazeres.
Mas tenho que te dizer,
Que por mim e por ti é melhor te descomprometeres,
Daquilo  a que os outros gostam tanto de crer.
Crenças ou preconceitos!
Mas é melhor teres o preceito
De rapidamente desfaze-los!

Porque se é para acontecer-mos então é melhor descre-los!

J.Hope

sábado, 5 de abril de 2014

Overthinking -Pensar Custa! - J.Hope




Isto de ser humana é complicado e infelizmente ninguém se lembrou de nos dar um manual de instruções assim que nascemos. Seria mais fácil de nos entendermos. Isto de ser uma rede complexa de pensamentos em cascata, e de ficar triste ou contente por um leve pensamento que se lembrou de passar à frente do nosso consciente, não dá com nada. Epa, eu aceito que eles (pensamentos) precisem de espairecer, mas que não me venham dar cabo do negócio! Porque afinal eu tenho uma vida para fazer! Tarefas a cumprir, arrumar a casa, estar com amigos, etc. Entendo também que esses pensamentos façam parte da nossa vida interior ok! Mas não estraguem a vida “exterior”!
Complicada esta vida de pensar! Podem vir os críticos dizer que não faço nada e que sou preguiçosa e tal! Epah então que experimentem ser eu por um dia! Gostava de os ver! Passar o dia a híper-racionalizar as tarefas básicas da vida! Pensem lá no processo de respirar e em todos os processos físicos e químicos que o nosso corpo experimenta! Pois, agora imaginem na quantidade de estímulos que nos chegam pelos nossos sentidos, e agora pensem na racionalização de cada um deles. Pois!
Isto de ser humano é perigoso! Leva-nos por caminhos muito pouco sãos. -Faz com que duvidemos das nossas capacidades, e num determinado ponto fazem com que duvidemos dos nossos sentidos. A extrapolação da realidade para pensamentos mais favoráveis ao nosso ego é uma questão muito dúbia. E ao mesmo tempo necessária para a nossa auto-confiança. Um ponto fundamental para nos levar a agir de acordo com aquilo que nos faz feliz, ou num outro nível, que sei que há pessoas que gostam de sofrer, que nos faz sofrer. 
Mas incorremos no risco de criar um espaço tão favorável ao nosso ego ou a nós, onde invariavelmente vamos ( com toda a certeza) carregar nos elementos criados pelo nosso inconsciente, e consequentemente criamos expectativas muito altas. Isto é, sonhamos muito alto. Não que o sonho deva ser reprimido. Pelo contrário deve ser estimulado, mas não de tal forma que se criem imagens que apesar à luz do nosso inconsciente sejam plausíveis de acontecer,  são na realidade algo que se encontra nas percentagens reduzidas da realidade mundana.
Não devemos acreditar a 100% naquilo que ele nos diz. Melhor! Não devemos acreditar naquilo que o nosso inconsciente nos diz e que o nosso ego nos diz. Ok!
                           Impossível!
Fogo para nós!
Infelizmente precisamos dos dois. 
                                      Fogo!
Era tão mais fácil preparar uma emboscada a estes dois e aniquilá-los de uma vez por todas. Mas não! Lá em cima quem nos criou fez questão de por estes dois connosco, e a ver se te avias!- É porque precisamos de um para não morrer a cada bater do coração e cada passo, e do outro para podermos evoluir  com confiança em nós.
O problema que talvez não tenha sido previsto é quando exageramos nestes dois! Pois! “Não têm por aí uma garantia para trocar estes dois? É que os meus vem com defeito!”
-A complexidade humana há-de ser sempre muito mais complexo do que a própria complexidade em si. Se juntarmos a isto, a verdadeira crença que toda a gente é diferente, - é o forrobodó da diversidade humana! Gente diferente num mundo em constante transmutação onde as variáveis mudam a cada segundo e onde os factores ambientais, também eles diferentes ,tal como é o pedaço de terra pelos nossos corpos ocupados.

Só nos resta aceitar e ir em frente. - Como diz a música “deixa acontecer naturalmente”.


J.Hope

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Tenho Tanto Sentimento



Tenho tanto sentimento 
Que é frequente persuadir-me 
De que sou sentimental, 
Mas reconheço, ao medir-me, 
Que tudo isso é pensamento, 
Que não senti afinal. 

Temos, todos que vivemos, 
Uma vida que é vivida 
E outra vida que é pensada, 
E a única vida que temos 
É essa que é dividida 
Entre a verdadeira e a errada. 

Qual porém é a verdadeira 
E qual errada, ninguém 
Nos saberá explicar; 
E vivemos de maneira 
Que a vida que a gente tem 
É a que tem que pensar. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Nada é Certo!




Nem tudo o que nos dizem é certo. Nem tudo o que acreditas é. Nem tudo o que nos é negado é realmente impossível. Nem tudo o que tu vês é a leve certeza da elementaridade da vida. Nem tudo o que os teus amigos te dizem é para te confortar. Nem tudo o que os teus pais te ensinaram te serão úteis em alguma etapa da tua vida. Nem tudo o que é barreira é obstáculo e nem tudo que lês é a certeza de quem escreve. Mas acredita que a tua verdade agora é bem diferente da de amanha, e que não podes fixar-te nem fixar ninguém a bóias por ancorar. E que é bem melhor viver com a ideia de sermos como que uma bolha volátil que a cada parede que encontra se molda, e vive uma nova realidade a cada pancada. Do que um tronco de uma palmeira no meio de um qualquer deserto.

J.Hope

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A Tua Fúria





Viras o passeio e contornas edifícios,
Foges de concentrações,
E morres de ilusões.
Confias em olhares errantes
E bates à portas de mercantes.
Sonhas naus e mares
Afugentas com os pés.
Escondes-te de princípios
E brames aos precipícios
Um conjunto de indícios
Da tua loucura convergente
Da tua astucia maquinal
Do teu medo do mal
E da tua saturação mundial,
De pessoas, ideias e prazeres.
Deitas fora as tuas mágoas
E ajeitas com as tuas mãos
As tuas próprias tábuas.
Recompões-te daquilo que foi dito

E voltas para o teu lugar de gabarito.


J.Hope