A aceitação é um dever
cívico. Não devemos refutar a ideia de aceitar qualquer coisa, um evento, uma
pessoa ou uma atitude. Não devemos formular qualquer tipo juízo de valor, é incorreto.
Assim estamos a bloquear a aceitação. Podemos ter o caso de tanto acreditarmos
nesses juízos de valor, que essas ideia pré-concebidas tornam-se numa falsa
verdade. Devemos, então, analisar bem as nossas premissas e decifrar a
veracidade das mesmas. Estamos perante uma aceitação verdadeira ou estamos
convencidos que aceitamos algo?
Torna-se complicado distinguir estas duas, mas uma analise
mais atenta de nós próprios e dos nosso pensamentos irá ajudar a revelar a
veracidade e o grau de aceitação. Contudo é uma ideia irrealista descartar
desta equação os outros. Eles desempenham um papel muito importante. Impõe-nos limites.
E não é só a nós, mas também aos nossos pensamentos. É preciso ver o quanto estes
“outros” nos podem ajudar. Talvez no inicio não seja claro, mas com o
desenrolar do tempo é necessário estarmos atentos, pois são eles que nos vão
dar dicas de como nos devemos analisar.
Não basta estarmos atentos, temos que estar presentes no momento. Isto
é, aceitar o momento em que fazem parte o “eu” e os “outros”, e que nos
relacionamos de uma forma própria, e que esse relacionar , numa visão atenta,
dá-nos dicas de como nos devemos relacionar connosco mesmos. Ou seja
aceitar-nos.
É um ciclo de trocas e com efeito bola de neve.
Devemos, pois, aceitar. Podem dizer que a teoria é de facto
fantástica mas que a sua aplicação é mais difícil. -Concordo! Ninguém falou aqui
em facilidades. -Temos é que saber recompensar-nos
em cada passo que damos para o nosso
progredir. Pode ser difícil, sim
aceitamos esse nível de exigência. Mas sempre que entendemos essa
dificuldade ou esse obstáculo, temos que nos recompensar, porque acabamos de
dar mais um passo, reconhecemos algo que nos incomoda.
Excelente!
O próximo passo é
entender o porquê de nos incomodar. Aqui é muito importante a calma e paciência.
Vai ser necessário pormo-nos no lugar das outras pessoas e entender a parte
delas. Não podemos esperar respostas nesta fase, temos que ser nós a formular
hipóteses. Hipóteses realistas, fase em que não nos devemos levar por
extrapolações nem por pensamentos muito negativos nem mesmo muito positivos.
Temos que ter frieza e a objetividade para a sabermos formular as tais hipóteses.
Depois disso vamos ver que gradualmente o obstáculo que no
inicio era do tamanho do Adamastor, agora é mais do tamanho de um muro que
ladeia uma casa. E eis que começamos a aceitar. A redução do Adamastor a um
muro é o inicio da nossa aceitação. É quando começamos a testar cada uma das
hipóteses, tal como num estudo cientifico, que devemos estar atentos às
variáveis, “eu”, “outros”, “mundo” e a relação entre cada uma delas. E
gradualmente vamos eliminando as hipóteses, até ao ponto de nos esquecermos
delas.
O quê?
Sim é verdade, vamos esquecendo o que nos levou até aqui.
Não é amnésia que falo, é aceitar. Porque aquilo que nos incomodava já não nos
diz nada, pelo menos não é para nos uma fonte de energia e pensamentos
negativos. Porque aqui aceitamos tudo aquilo
o que aconteceu. E tudo o que teve a ver
com o obstáculo inicial, no futuro, será como que uma arvore na beira da estrada.
Sabemos que está la´, passamos por ela todos os dias, até podemos apreciar a
beleza da arvore, mas passamos e continuamos a nossa vida sem que a arvore se
torne o foco dos nossos pensamentos.
Aceite!
J.Hope