sábado, 29 de março de 2014

Podes gostar de mim sff? - Inesperado.org


Podes gostar de mim sff?

O que nos faz gostar de uma música?
O que nos faz gostar de um livro, de um sítio, de uma comida?

É difícil dizer o que é. Podemos tentar mergulhar na nossa infância, pensar na influência dos pais, reflectir em experiências marcantes, mas nunca percebemos inteiramente o porquê. Simplesmente gostamos.

Ao mesmo tempo que gostamos de algumas coisas, também não gostamos detodas as coisas.
Não se gosta de todos os livros, não se gosta de todos os sítios, não se gosta de todas as músicas. Há sempre algum que preferimos. E para quem diz “Ah, eu gosto de todos os tipos de música”, basta fechar essa pessoa numa cave durante 2 horas a dar punk gótico aos berros, para ver quem gosta de tudo.

Há por isso coisas que gostamos mais, e outras de que não gostamos. Isso é natural. Isso não nos causa confusão. Contudo, é curioso ver como isto muda quando falamos de pessoas.

Há quem sinta uma aflição quando percebe que não gosta de alguém. Isto porque achamos que a coisa mais natural é gostar espontâneamente de toda a gente, e quando isso não acontece, sentimos que alguma coisa está errada. Mas não está.

Tal como não gostamos de todos os tipos de literatura, não gostamos de todas as pessoas. Não temos que nos preocupar com isso. E não temos que nos preocupar porque não gostar de uma pessoa não quer dizer tratá-la mal. Podemos não gostar de alguém e tratá-la bem na mesma.Aliás, isso é um alívio especial no mundo do trabalho: não precisamos de gostar de toda a gente (nem do chefe chato, nem da Sónia da contabilidade). Mas isto não quer dizer que não sejamos bons profissionais.

Na realidade, o mundo ficaria a perder se apenas tratássemos bem as pessoas que gostam de nós. Curiosamente, na maior parte das vezes, as pessoas mais difícieis de gostar são as pessoas que mais precisam.
Contudo, o oposto também acontece. Há pessoas que não gostam de nós.Não é preciso serem pessoas com a mania da conspiração. Simplesmente não gostam de nós, com a mesma naturalidade com que não gostam de puré de batata.

Há quem fique verdadeiramente incomodado quando percebe isso… ainda para mais porque puré de batata não é assim tão desagradável. O que normalmente acontece é tentar agradar a todo o custo à outra pessoa – quase implorando que goste de nós – ou ficar tremendamente indignado com o facto de não sermos gostados… Como é que eu, ser humano magnífico, não tenho a adulação desta pessoa! Ahhh escândalo!

Mas nada feito. Apesar de todos os esforços ou irritações, o outro simplesmente não gosta de nós. O que podemos então fazer?
A resposta é simples: devemos ficar muito agradecidos.

Se formos o que é suposto sermos – com toda a autenticidade e radicalidade que isso implica – vamos necessariamente chocar com outras pessoas. Vamos ser diferentes do que elas gostariam que fôssemos. Vamos ter visões diferentes do mundo e vamos fazer escolhas diferentes.

E isso é motivo para estarmos agradecidos. Não só porque a diversidade é uma riqueza, mas porque é uma coisa terrível ser alguém de quem toda a gente gosta. Porque para isso acontecer é preciso estar sempre a mudar para agradar a toda a gente. É preciso ter 100 máscaras diferentes. É preciso deixar de ser autêntico e passar a ser um personagem inventado. Personagem que por ser inventado não consegue ser feliz.

Da próxima vez que não gostarmos de alguém, da próxima vez que alguém não gostar de nós… não nos vamos preocupar.
Vamos antes ficar agradecidos… tanto que certamente haverá alguém que gosta de puré de batata.

terça-feira, 18 de março de 2014

Fique com os Kings Of Convenience - Misread - Boa Noite


Tu não és especial - Inesperado.org


Tu não és especial



Apesar dos miminhos que recebeste dos teus pais, apesar de teres amigos que se riem das tuas piadas e apesar de já teres passado por muita coisa… não caias em ilusões: tu não és especial.
Não és especial porque andaste naquela universidade ou tens aquele trabalho. Não és especial porque tens boa aparência ou porque há alguém que gosta de ti.



És apenas mais um em 7 biliões, por isso escusas de andar por aí como se o mundo te devesse alguma coisa. Essa cara de vinagre fica-te mal, e esse ar só estraga o ânimo à malta. A sociedade não te deve um trabalho, a família não te deve uma casa e os teus amigos não te devem atenção. Nada disso: o mundo não te deve nada, és tu que deves muito ao mundo.


Deves ao mundo o teu tempo, energia e inteligência. A tua melhor intenção e o teu melhor empenho.
Trabalhar porque acreditas que o teu trabalho é importante, não porque tens um estatuto a manter. Estudar pelo entusiasmo de aprender e não apenas para passar nos exames. Namorar porque adoras a pessoa que está contigo, não porque não aguentas estar sozinho. Viajar porque queres viajar, não para teres fotografias para mostrar. Cuidar bem dos outros porque queres o bem deles, não para provares que és bonzinho.

Podes tentar fugir disto, claro. Podes ficar escondido atrás das cortinas e lamentar-te de todas as dificuldades que tens pela frente. Podes ficar à espera que alguma coisa te venha salvar…mas no fim tens apenas que decidir uma coisa:o que vais fazer com cada hora do teu dia?
O que raio vais fazer da tua vida?

O mundo precisa de ti. E tu precisas de viver o melhor que tens.
A tua vida é demasiado importante para depender de te sentires especial.

O caminho vai ser longo e difícil. Vais ser criticado e vais falhar… mas se apesar de cada falhanço, cada crítica e cada sofrimento continuares a dar o teu melhor… então é porque te tornaste em alguém especial.

I don’t Care





I don’t care what you have!
I don’t care what the others might think!
I don’t care how old are you!
I don’t care about your money!
I don’t care about your position in the business world!
I don’t care if you think that I might be childish!
I don’t care if you came from a different background!
I don’t care if you don’t drink coffee!
I even don’t care if you loved someone else!
                If you have feelings for other person!
                If i am not the most important person in your life!
                And even if I don’t occupy your mind!
All those things I don’t care!
What I care is what you are with me
-The person you let me see
-The world you telling me
-The thoughts you have for me.
What I care is the present !

                You and me!


J.Hope

segunda-feira, 17 de março de 2014

O que é a Vida? - Carlos Drummond de Andrade



“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” 
Carlos Drummond de Andrade

Ray LaMontagne - Let It Be Me

Para terminar o dia uma música para aconchegar o espírito.
Ray LaMontagne - Let It Be Me


O Prazer de Deambular - J.Hope




Que bom deambular
Ter o prazer de encontrar estranhos e, 
De neles encontrar
Algo de mágico, difícil de explicar.
Sentir o que eles vêm 
E ver o que eles sentem.
Encontrar em cada olhar de quem passa
Um prazer
Carnal ou emocional.
Indício de vida, 
Que se me apresenta fatal.
Mas com a devida astucia e muita dúvida,
Se torna banal….
O que é isto, pois afinal?
Não sei talvez o final….

J.Hope

Oscar Wilde - Be Yourself






sexta-feira, 14 de março de 2014

Boa noite com Ed Sheeran - The A Team

Uma música bastante conhecida e é daquelas que ninguém se chateia de ouvir repetidamente.
Ed Sheeran - The A Team


Envelhecer


Human Condition in a Poem

Um video com uma mensagem ,sob a forma de poema,muito forte.
My Call For Humanity || Spoken Word 


Aceitação - J.Hope



O conhecimento da matéria como ela é, é o inicio da aceitação. É o que acontece com os objetos, como as pedras. Sabemos o que é uma pedra, porque a tocamos, cheiramos e a vemos. Sabemos que as vamos encontrar nas estradas, no mar e de vez em quando no sapato. Sabemos onde as podemos encontrar, e não dedicamos muito tempo da nossa vida a debater muito as questões da existência de pedras. Talvez para um pedreiro não o seja, mas para os restantes é algo de banal. Não pensamos nelas como pensamos no trabalho ou mesmo quando pensamos no que vamos comer. Aceitamos a sua presença, aceitamos a sua matéria dura e inanimada, bela e banal. E sim é isto. Isto que deveríamos fazer com todas as contradições da nossa vida. Aceitar a sua matéria. Reconhecer a sua existência, e não fazer dela o tempo de  antena dos nossos pensamentos. Claro que devemos saber a existência deles, como é bom saber que há mais pedras na nossa praia preferida,  e será melhor,  nessa situação levar uns chinelos mais resistentes ou ir a outra praia. Tal como é bom saber quais são recursos que devemos aplicar à resolução de um problema, mas tal não deverá ser o foco da nossa atenção. Certo ,como não estamos 3 dias taciturnos  a pensar qual a melhor solução levar uns chinelos mais resistentes ou ir a outra praia.  “Muito bonito, mas nem todos os problemas são comparados com o dilema dos chinelos!” – Reclama o leitor mais atento. E eu concordo com esta objeção. Mas temos que saber reduzir as projeções dos nossos problemas. Tal como um doente com cancro, sese mantiver focado no seu problema só vai fazer agravar o seu estado. Daí que os doentes que conseguem combater esta doença sejam propulsores ávidos de energia, de novas campanhas de sensibilização de cancro e de mudança de vida. E para quem conhece estes lutadores sabe que são diamantes de energia e de aceitação. Por muito difícil que fosse a doença, aceitaram o seu problema e diminuíram as suas projeções mentais da negatividade, extrapolaram, sim um outro lado mais positivo. E, felizmente, superaram a doença. Sim a historia das pedras pode ser ridícula quando comparada com a do cancro. Mas no seu âmago existem uma quantidade interminável de ligações.

1º Ver, tocar, cheirar, saborear- a pedra
2º Saber a sua existência
3º Aceitar a sua existência
4º Saber as hipóteses e recursos que possuo- chinelos ou outra praia
5º Diminuir as suas projecções- “se calhar vou mas é a outra praia!”
6º Extrapolar o que realmente o faz sentir bem –“a outra praia até tem uma barraca de gelados!”


SEJA FELIZ

quinta-feira, 13 de março de 2014

Boa Noite com Ani Difranco

Hoje não vou publicar mais do que esta fantástica música. Boa Noite com Ani Difranco - Overlap


quarta-feira, 12 de março de 2014

Stop Thinking - Eckhart Tolle







“Not to be able to stop thinking is a dreadful affliction, but we don't realize this because almost everyone is suffering from it, so it is considered normal. This incessant mental noise prevents you from finding that realm of inner stillness that is inseparable from Being.”



Eckhart Tolle

Tradução - Save the Humans - J.Hope


Tradução à margem da folha,
Como um anotamento pontual casual
Indicando sem qualquer rigor
O mundo cravejado de pudor
De crenças e ideias,
Como uma encenação teatral
Onde o público de pé aplaude o que fora ideal,
Mas que com o vil ser
Depois do espetáculo acabar,

Retoma ao seu mísero viver.
J.Hope

Música da Noite

Uma música encantadora, reconfortante ideal para o final do dia. Soko - We Might Be Dead By Tomorrow




terça-feira, 11 de março de 2014

Música da Noite - Parte 2

Pela segunda vez vou publicar mais uma música. Hoje a noite inspirou-me e não queria que o leitor ficasse mais algumas horas sem conhecer esta música. Ligue o som, clique no play e deixe-se embalar por Wolf Larsen, numa música calma e não se preocupe que hoje os pesadelos e as insónias deixarão o leitor em paz!


Livre-se do perfeccionismo para ser feliz - Vida Simples



Livre-se do perfeccionismo para ser feliz 


A mania do perfeccionismo pode atravancar sua vida. Fique atenta aos seus ideais e tire do caminho esse obstáculo para viver bem Publicado em 14/07/2010

Liane Alves 
Edição 0095




Vale lembrar sempre que é impossível manter todas as áreas da vida sob controle

Foto: Daniella Domingues

Sem perceber, podemos estar nos esforçando para cumprir modelos impostos que exigem perfeccionismo. O problema é que a perfeição é uma moeda escassa nesse mundo naturalmente imperfeito. Além disso, nos esquecemos que é impossível manter todas as áreas da vida sob controle. Um corpo em dia não vai garantir relacionamentos amorosos, um emprego ideal ou a casa na praia não são sinônimos automáticos de felicidade. Este é o mecanismo perverso dessa história: a perfeição, mesmo quando atingida, só nos chega aos pedaços.

Dentro do pacote

Segundo a psicoterapeuta Regina Favre, duas doenças contemporâneas testemunham nossas reações diante do desafio da perfeição: a síndrome do pânico e a depressão. "Se prenuncio que não vou conseguir atender ao padrão de exigências estabelecido, começo a entrar em ansiedade e, depois, em desespero: é o pânico que chega. E se, ao contrário, dou conta de cumprir o que é proposto pelo mercado, posso ser tomado pela depressão".

E por que desejamos a perfeição de maneira tão obsessiva? "Há o mito construído de que se não formos perfeitos, jovens e belos seremos excluídos. É esse o fantasma que nos ameaça: sermos jogados fora do mercado, seja profissional, seja sexual ou produtivo".

Esquecemos algo fundamental: que sofrer, arriscar-se sem garantias e provar sentimentos de perda ou falta fazem parte da riqueza de experiências que a vida nos proporciona. O resultado? Ao optar pelo controle que vem atrelado ao desejo de perfeição, ficamos cada vez mais hesitantes em experimentar verdadeiramente o sabor da vida, com suas imprevisibilidades, erros e acertos.

A boa notícia é que uma vigorosa contracorrente a esse tipo de pensamento já está presente há uns 30, 40 anos na sociedade. "Ela questiona esse estilo de vida rigidamente perfeito. Emergem novos tipos de valores que incorporam conceitos como o desapego e a noção de impermanência, por exemplo", explica Regina.

Essa nova atitude começa com o respeito ao próprio corpo. Ser responsável pela própria saúde, pelos alimentos que consumimos, pelos ritmos internos e necessidades pessoais é uma nova posição de vida, mais consciente e individualizada.

E começa a revolução

O psiquiatra José Ângelo Gaiarsa sempre criticou o que nos é imposto pela sociedade. Ele coloca em dúvida nossa capacidade de fazer julgamentos justos ao avaliar a perfeição. "Não temos condição de nos julgar, ou de nos condenar, com isenção. Tenho alergia a palavras como ideias, conceitos, que não dizem nada e só aumentam a nossa confusão. Já o corpo não mente jamais". Segundo Gaiarsa, a grande revolução começa ao sentirmos mais o nosso corpo. Isso significa respirar melhor, movimentar-se livremente e experimentar toda a gama de sensações que os sentidos podem nos oferecer.

Com esse conhecimento, abre-se o espaço para uma nova consciência, mais independente e autônoma. E Gaiarsa explica como e por quê. "Ao respirarmos mais profundamente, o raciocínio torna-se claro, as conexões cerebrais se ampliam", afirma. "Não temos ideia de como a simples respiração pode nos ajudar a nos libertarmos dessas emoções negativas, como a inveja e a competitividade, e do domínio que elas nos impõem", diz o pesquisador.




Aproveite o lado bom do desejo - ilusório - de perfeição

Foto: Daniella Domingues


Quando vale a pena

Depois que limpamos bem esse terreno, podemos ver que o desejo de perfeição também tem a sua utilidade. Os grandes gênios da humanidade se alimentaram dele: Michelangelo, Da Vinci, Einstein. Nada garante que fossem mais felizes ou realizados, mas a verdade é que, em vez de procurarem unicamente sua felicidade individual, colocaram seus talentos a serviço de algo maior, às vezes em detrimento de sua saúde, sanidade ou realização afetiva. Almejar a perfeição, portanto, pode nos levar a grandes realizações e a um aperfeiçoamento constante. Mas por vezes o preço é alto.

"Sede perfeitos, como o vosso Pai do céu é perfeito", nos diz o evangelho. Em vez de apresentar um modelo rígido, as palavras de Cristo propõem um exercício de humanidade naquilo que temos de melhor: a capacidade de amar, perdoar e praticar a generosidade - inclusive consigo mesmo, no caso de erro e falta. Por isso, o desejo de perfeição não é, por si só, ruim. Não se encarado dessa maneira generosa. Nossa grande questão é, e sempre vai ser, onde vamos colocar esse desejo

Poema para a Noite - Álvaro de Campos

Dois Excertos de Odes(Fins de duas odes, naturalmente) 



Vem, Noite antiquíssima e idêntica, 
Noite Rainha nascida destronada, 
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite 
Com as estrelas lentejoulas rápidas 
No teu vestido franjado de Infinito. 

Vem, vagamente, 
Vem, levemente, 
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas 
Ao teu lado, vem 
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas, 
Funde num campo teu todos os campos que vejo, 
Faze da montanha um bloco só do teu corpo, 
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo, 
Todas as estradas que a sobem, 
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe. 
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores, 
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra, 
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora, 
Na distância subitamente impossível de percorrer.
(...)
Vem, Noite silenciosa e extática, 
Vem envolver na noite manto branco 
O meu coração... 
Serenamente como uma brisa na tarde leve, 
Tranqüilamente com um gesto materno afagando. 
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos 
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face. 
Todos os sons soam de outra maneira 
Quando tu vens. 
Quando tu entras baixam todas as vozes, 
Ninguém te vê entrar. 
Ninguém sabe quando entraste, 
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe, 
Que tudo perde as arestas e as cores, 
E que no alto céu ainda claramente azul 
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem. 

A lua começa a ser real.
(...)

Música de Boa Noite

James Blake - Limit To Your Love 
Good Night 


Minha querida disciplina - Inesperado.org

Minha querida disciplina

11MAR
O que nos vem à cabeça quando pensamos em disciplina? Será que pensamos em sacrifício, em limitação, em chatice? Ou pelo contrário, pensamos em liberdade e em amor?
Tendemos a pensar na disciplina como uma coisa antiquada que tira o gozo da vida. Que elimina a espontaneidade e a naturalidade de fazer as coisas como gostamos. Mas será que a disciplina pode ser uma libertação? Pode ser um um caminho para o amor?
Nascemos dotados de um coração maravilhoso, mas cheio de volatilidades. Tanto temos rasgos de inspiração que nos aproximam do que queremos, como ao mesmo tempo temos distracções que nos empatam. Ora o que a disciplina faz é libertar desta volatilidade. Ela faz-nos chegar onde queremos, sem nos perdermos no que não queremos. A disciplina desperta uma espontaneidade orientada e consistente, não ficando apenas por alguns laivos de entusiasmo.
Contudo, continuamos a agir com uma certa ingenuidade, porque achamos que podemos sempre confiar em nós. Quando na realidade não podemos.
Se por exemplo decidimos ir fazer exercício todos os dias de manhã, não seria inteligente deixar que o eu das 7 da manhã – sonolento, com remelas e envolto em lençóis – faça o que lhe apetece. Ele tem que se levantar e ir correr. Ele não pode decidir.
Quem decide é o eu da véspera, bem acordado e livre.
inesperado.org_ disciplina
A disciplina não funciona em vaipes. Funciona ao ser constante nas coisas em que queremos ser constantes. Funciona quando somos capazes de adiar a gratificação. Quando somos guardiões de nós mesmos.
Acontece que ela é especialmente necessária, porque qualquer coisa que queiramos da vida – quer seja ter um bom trabalho, dar a volta ao mundo, ter uma relação feliz, viver uma vida saudável – vai exigir uma dose tremenda de disciplina.
Gostar de um bebé fofo é natural. Agora acordar todas as noites quando o fedelho está a chorar…
Trabalhar quando estamos inspirados é óptimo. Agora estar ali a malhar mesmo quando não apetece…
Ter um rasgo de altruísmo acontece. Agora ser generoso diariamente com quem queremos…
Contudo, para a disciplina acontecer, ela tem que ser querida.
Querida, porque tem que ser amável e carinhosa.
Não dá para impor regras estóicas à nossa vida e depois esperar que por milagre vamos cumprindo o que definimos. Temos que nos ir educando gradualmente, com miminhos e humor. Com pequenas rotinas, hábitos subtis e pormenores de fidelidade.
Querida, porque tem que se querer.
Tem que ser algo que se escolhe. Que decidimos livremente fazer. Se for uma imposição exterior, torna-se limitadora e aborrecida. Se for uma escolha livre, uma adesão a um objectivo maior de vida, então aí abre um caminho para a liberdade.
Curiosamente só é capaz da disciplina quem tem amor próprio. Porque a disciplina é um acto de amor. É ser capaz de sacrificar o egoísmo para servir alguma coisa melhor. Sem disciplina, fica-se apenas pelos sentimentos e intenções. A disciplina concretiza em milhares de pequenas acções o amor que procuramos e o amor que desejamos.
Ao viver assim a disciplina – dia a dia, mês a mês, ano a ano – acabamos por tornar natural o que ao início não o era. O que era uma limitação torna-se uma oportunidade. O que era um sacrifício, torna-se uma libertação. O que era uma coisa chata… bem, o que era uma coisa chata, torna-se uma coisa querida. Muito querida.

Por tantos lados derramei a minha solidão - J.Hope


Por tantos lados derramei a minha solidão
Por tantas ruas errei à míngua de te encontrar,
De te cantar aos meus pensamentos
De te descrever aos meus sentidos.
E de te imaginar! A ti!
Tua alma nua só pra mim!
E de tanto pensar
E de tanto caminhar
Fui ter onde estava,
A um beco com varandas suspensas
Cheias de nada;
Subo desolada e
 sento-me de novo onde me encontrava

Perdida na cadeira forrada de madeira.
J.Hope

segunda-feira, 10 de março de 2014

Sussurra-me - J.Hope




Sei de ante-mão o que me queres dizer
Anda e sussurra-me
Consola-me e foge!
Foge de mim e das minhas tempestades,
De fogos e de amores
De tentações e prazeres!
Consola-me a alma e as fibras!
Mas não fiques!
Fala-me baixinho enquanto eu suspiro,
Bufa-me o ar da tua boca
Deixa que as palavras se depositem em mim
Com calma ….
Certifica-te que me deixas só, E que fazes café
Que levas o que te pertence e que leves os meus sentidos,
Que murmures coisas com sentido
E que me deixes sem falar
Porque aquilo que te tenho que dizer
É melhor não quereres saber!

Amo-te e amar-te-ei até o fado me ceder!
J.Hope

Música para a Noite

Uma música com ritmo latino para uma noite quente. Pegue num copo de vinho e vá para a janela cheirar o despertar da primavera.- Buena Vista Social Club-Chan Chan


Eu sou... - J.Hope




Á falta de ter Eu Sou
Sou cheia de ideias sonhos e fumos
De quietos movimentos e assuntos!
De certezas diluídas em tormentos
E errantes cidades perdidas.
Suspensas palavras
Que se acumalam de não as proferir
Desgastadas de tanto as sentir
E se colam nas paredes do meu ser
Que as tinge a seu bel-prazer
De tristezas e doenças
Que de quando em quando chegam
E me turvam os pensamentos
J.Hope

domingo, 9 de março de 2014

Just Let Go - Eckhart Tolle



“To offer no resistance to life is to be in a state of grace, ease, and lightness. This state is then no longer dependent upon things being in a certain way, good or bad. It seems almost paradoxical, yet when your inner dependency on form is gone,the general conditions of your life, the outer forms, tend to improve greatly. Things, people, or conditions that you thought you needed for your happiness now come to you with no struggle or effort on your part, and you are free to enjoy and appreciate them - while they last. All those things, of course, will still pass away, cycles will come and go, but with dependency gone there is no fear of loss anymore. Life flows with ease.” 

Eckhart Tolle

Alma Gémea - Miguel Esteves Cardoso




Nenhum sonho custa tanto a abandonar como o sonho de ter uma alma gémea, nem que seja noutro canto do mundo, uma alma tão perto da nossa como a vida. O que é a alma? É o que resta depois de tudo o que fizemos e dissemos. Podemos traí-la e contrariá-la, mesmo sem saber, porque nunca podemos conhecê-la. Só através duma alma gémea. Fácil dizer. Agora como é que consigo falar? 
As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas que reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde nunca tínhamos conseguido voltar. 

O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indecifráveis da nossa existência. Não muda, não se mostra, não se dá a conhecer. O coração ama. Mas é na alma que o amor mora. Todos os amores. Toda a vida. 
A alma deixa o coração à solta, como tonto que ele é, e despreocupa-se e desprende-se do corpo, porque tem mais que fazer. E o que faz a alma? Mandar escondidamente na parte da nossa vida que não tem expressão material ou física. Está mal dito, mas está certo, porque estas coisas não se podem sequer dizer. 

O quem e o quê não lhe interessam. A alma não deseja, não tem saudades, não sofre nem se ri; a alma decide o que o coração e a razão podem decidir. A alma não é uma essência ou um espírito; é a fonte, o repositório, a configuração interior. Expressões horríveis, onde as palavras escorregam para se encontrarem. Só resta repetir. A alma é de tal maneira que é aquilo, exactamente, de que não se pode falar. 
A não ser que se encontre uma alma gémea. Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. 

(...) O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É poder descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela. Os melhores ainda são aqueles que a deixam a Deus. 
Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. Ou seja: é a prova de que a alma existe. Não faz nem diz o mesmo que fazemos e dizemos — mas tem uma forma de fazer e dizer tão parecida com a nossa, que deixa de interessar o que é dito e feito. Uma alma gémea faz curto-circuito com os fusíveis corpo/coração/razão. Não é o «quê» — é o «porquê». O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o «não ser preciso falar» - é outra forma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser. 

Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. O coração pára de bater. A existência é interrompida. No abraço do irmão, do amigo, da amante, há sensação, do corpo, do tempo, do coração. Há sempre a noção dum gesto posterior. No abraço de duas almas gémeas, mesmo quando se amam, o abraço parece o fim. Uma pessoa sente-se, ao mesmo tempo, protegida e protectora. E a paz é inteira - nenhum outro gesto, nenhuma outra palavra, é precisa para a completar. Pode passar a vida toda. Não importa. 

Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Explicações de Poruguês

Música da Noite

Um grupo que me encantou com as suas vozes doces e irreverentes, com as batidas suaves e com os ritmos exactos para quem gosta de apreciar um bom livro, Angus and Julia Stone- Hold On


Ter-te - J.Hope




Talvez a ideia de te ter
É simples ilusão
Como posso ter alguém que não se tem
Que não se dota de certezas ou de incertezas
Que reage dilatando ao ruído mundano
Que foge da oxigenação de ideias
E que morre de aborrecimentos,
Que cessa fogo na inexistente batalha
E que promete futuros
Queima tormentos
E escreve estragos?
Que se dá às loucuras e que se perde em prantos?
Como posso eu ter-te?
Se não te teres a ti, me impede de me ter a mim,
E se a nossa ausência de nós nos impede de nos ter-mos?
J.Hope

Espaço - J.Hope




Dar-te-ia espaço se assim me demandasses
Soltaria gritos de resistência se me parasses
Destruiria edifícios com andaimes
E inventaria preces
Tudo isto para me entenderes
E descodificares o que ser
Meu me delegou
Que neste momento o fado me negou

E que morreria por não te ter.
J.Hope

You- Eckhart Tolle





“Give up defining yourself - to yourself or to others. You won't die. You will come to life. And don't be concerned with how others define you. When they define you, they are limiting themselves, so it's their problem. Whenever you interact with people, don't be there primarily as a function or a role, but as the field of conscious Presence. You can only lose something that you have, but you cannot lose something that you are.”

sexta-feira, 7 de março de 2014

Tempo - J.Hope


Tempo que me paras
Que me amarras os pulsos
Que me dilatas as narinas
E me soltas inquietudes!
Que foges com horas e minutos
Que me franqueias os meus músculos
E corrompes as minhas células.
Rebuscas em mim suor e tremores
De, talvez, muitos amores
E que depois me soltas no infinito
E me marcas com o sucedido
Nas fibras da minha memória!

J.Hope

O que é Amar? - Woody Allen



"Amar é sofrer. Para evitares sofrer, não deves amar. Mas, dessa forma vais sofrer por não amar. Então, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar, ser feliz, então, é sofrer, mas sofrer torna-nos infelizes, então, para ser infeliz temos que amar, ou amar para sofrer, ou sofrer de demasiada felicidade - espero que estejas a perceber."

Woody Allen

Sol Sol e Energia

Para aumentar a energia deste belo dia que mais parece Primavera - The Beatles - Here Comes the Sun


quarta-feira, 5 de março de 2014

Aprender a Diferença - Veronica Shoffstall

"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para seconstruir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é “o que” você tem na vida, mas “quem” você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas, com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo...
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão...
Aprende que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.

Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poças que a ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. 
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que seus sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.



Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não para para que você o concerte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decorre sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! 
Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
Veronica Shoffstall

Liberdade- Inesperado.org e Cinematic Orchestra

Liberdade - Clique no link e leia ao som desta música mágica- The Cinematic Orchestra