quinta-feira, 21 de abril de 2016

Hoje Acordei com Saudades


Porque hoje acordei com saudades do mar calmo que batia à minha janela;
De quando me debruçava na varanda e sentia o vento e o barulho das folhas;
Da calma dos momentos.
Da intensidade das sensações.
Quanto eu pedi ao sol que me batia nos olhos, pela clemência de um amor perdido!
Que saudades tenho daquele vento que me embalava a calma, e me saciava as lembranças e os desejos.
Quantas vezes me perdi nas conversas com os vizinhos,
E no sabor dos bolos!
Deixava-me reclinar na cadeira dos pensamentos, no alçapão do conforto!
Tantas vezes fugi de mim ali…
Naquele lugar de sol ardente e brisas suaves.
Sinto saudades das paredes brancas, frias e húmidas no inverno,
Do chão lacado de madeira e das janelas poeirentas.
O quanto eu sinto saudades daquela casa!
Daquele espaço do mundo. Do meu universo.
Agora, já era. Já passaram as brisas e ventos, que agora não sinto.
As chuvas já molharam o chão das varandas e eu não vi.
Já fechei a porta do quarto e limpei o pó.
As vizinhas já partiram com os bolos.
Agora, no silêncio do vazio, às vezes sinto aquela brisa.
E vêm-me saudades,

                E lágrimas às convivências de outros tempos.

sábado, 17 de outubro de 2015

A História que Nunca te Contei



Era como tantos dias
Desperdiçados ouvindo o silêncio.
Eu por dentro, era tudo o que por fora não o era!
E como tantos outros dias, ali eu estava,
Esquecida. Do mundo e de mim.
Tal como os outros, tu também lá estavas.
Num tão súbito momento, já não eras tu.
Nem eu, era eu.
Foi assim. Breves momentos.
O que de início me impedia de te ver, caiu.
Toda a maldade morreu naquele momento, e
Toda a minha vontade cresceu.
E de tanto crescer fiquei assim,
Sem espaço para respirar.
Foste tu que me tombaste aquele muro de vida.
Agora cinge-me no teu peito. Amarra-me à tua alma.
Deixa que descaia sobre ti o meu eu,
Penoso, doloroso, sofrido e corrompido.
A história de quando eu passei de eu, para tua.
O fim, já o conheces. Não me recordes das minhas preces.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O Mundo



E porque hoje o mundo decidiu não falar comigo,
Eu desisti! Desisti dele e dos outros!
Descuidei a sociedade e fugi sem piedade,
De quem me quer, e de quem não me quer.
Fechei-me sobre mim, e grunhi do mais alto do meu ser
Impropérios, sem muito perceber o que dizia.
Falei com aqueles que eu desejaria, com ninguém,
Saltei os muros da minha vida, corri para junto dos meus sonhos.
De pé firme, aqui me aguento a ver o que lá fora se passa.
Atraiçoada pela simpatia, roubaram-me o tempo, mais que meio dia.
E daí nunca nada saía. 
O que me resta agora?
Continuar no que mais me dá alegria,

Que é de facto esta vida!

domingo, 15 de março de 2015

Batalha


Vou-te conquistando com o que tenho.
Afino as minhas armas e preparo o contra-ataque.
Relembro a estratégia, ajeito os punhos,
E lanço-me em frente!
Corro, sou a primeira. Os meu músculos gemem,
O sangue fervilha, as trocas linfáticas intensificam-se!
Ao movimento pendular dos meus braços e à força da minhas pernas,
Chegam-me as gotas de suor.
Sinto-as a principiar nas frontes até ao meu pescoço,
Vou-as limpando, quando posso.
Com a arma apontada vou conquistando!
Um a um, lentamente, freneticamente,
                O meu espaço
                O meu caminho
                O meu anseio
Depois da batalha conquistada, recolho!
Recolho-me sobre mim. Meço a distância entre a batalha e a guerra.
Re-ajusto a estratégia e lanço-me!
                Sobre o meu leito!
Caiado de estrelas e sonhos!

Aceleras-me o coração!

Aceleras-me o coração!
Excedes a velocidade do meu coração! 
Corres-me com o pensamento!
                Ficas só tu!
Perante a luz que sai do meu ser!
                Impões-te! Afirmas a tua posição!
Clamas com a tua pose descontraída,
O que eu não fazia por esses olhos?!
O que eu não faço por esses olhos.
Só de os imaginar foge-me o ar!
Esses dois oceanos de clara água, banham a imensidão do teu riso,
E espelham em mim amor!
O quanto não consegues destruir o que já tantas vezes reconstruí?!
Relembro esse teu corpo no chão,
Como que adormecido pela minha ausência.
Que bom saber que me sentes e que sentes a minha ausência!
Mas entristeço por saber que não lhe posso tocar!

Que não posso fazer desaparecer essa tua saudade de corpo de mim!

Tenho Saudades Tuas!


Tenho saudades tuas,
Não sei como cheguei até aqui.
Mas sinto-me sem ti!
Era tão bom naquele tempo de sentimentos desmedidos,
Com acções de glórias nacionais,
De capacidade transfiguradas e revigoradas.
Tenho saudades do tempo em que me sentia triste,
E arrependida por não te falar
ou não te olhar.
Esses tempos foram e terminaram.
Ainda sinto, de vez em quando aquela dor,
No meio do meu corpo,
                               Que me cobre o estômago e me arde as frontes!
                               E relembro-me de ti!
Vejo, agora, a força que exercias sobre mim,
                               E agora perdeu-se…
Quem me dera voltar aos tempos de pensamentos insanos,
E de revoltas tumultuosas e de choros descontrolados!
Revejo o que se passou e não vejo o sentido

De hoje, não ter saudades tuas!

O que é a Razão?


A razão nunca tem sentido!
Todos a falam  sem terem  antes vivido.
Pois todos a dizem sem nunca a terem perdido,
Nas palavras mais absurdas em que o medo,
Se encolhe de tanta razão desaparecida,
Entre palavras de tanta maldade genuína.
Que todos a fazem para a ter e nunca a perder,
Por uma causa ainda não resolvida.

Rewind


A saudade muito nobre se apresenta fica e morde.
Não apenas por magoar mas para a evolução ,
Que cada ser humano corre para não sofrer em vão.
Leva almas penadas de energias gastas em guerras,
Já há muito perdidas pela própria solidão,
Que desvanece na sua própria escuridão.
 Levemente diz e vai sem dizer o destino,
Que marca o fim do novo inicio.
Porque passa ?
Ainda não sei !
Porque vem ?
Tento aprender com a situação…
Talvez porque goste?
Não digo que não!
Mas vem e permanece intacta a indigna solidão!


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ser Lusitana


Isto de ser português é ser acima de tudo poeta,
Romancear sobre a vida e vive-la como dramático.
É sentir tudo e não sentir nada.
Mergulhar nos problemas e deixar que o vinho os leve.
É amarrar ao peito o clube e colher o sol na praia nos meses de inverno.
Cidadãos defensores da pátria nas tempos vagos,
Fervorosos adeptos do que cá não se faz, 
                                                 durante o trabalho.
Algo falha!
                              Está errado e queixam-se da falta de planeamento.
Chega a hora de planear é aí que o trabalho aperta.
Então para viver mais confortavelmente desaperta o trabalho,
E critica quem manda.
Pessoas de bem, não há quem tire a razão.
Acolhedores dizem uns com ar de contentes,
Habituados à frieza dos países mais frios.
Pais que só acolhe quando abordado, mas oferece um pastel de nata!
De paisagens, com mar e comida se enche o país,
Não esquecer os velhos reformados que também eles fazem parte dos monumentos das cidades.
Mas pensado pelo lado positivo, estamos a povoar o mundo,
Com grandes génios das artes e ciências que lá fora estão como que em casa;
E que em casa são corridos e ou ignorados.
Ser português é esperar por D.Sebastião,
Que surgirá entre o nevoeiro da desertificação do pais luso.
Lusitanos chamamo-nos com o coração,

Mas o que nos somos a final então?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Entre mim e ti!


Entre mim e ti há tudo!
Há um imenso deserto de entendimento e de pouco conhecimento.
Somos almas que a minha imaginação resolveu juntar,
E que agora a minha realidade não consegue separar.
Todas as tuas fragilidades foram seladas e devidamente protegidas,
Por mim, pela minha dignidade e pela minha coragem!
Todas elas existem para te defender e poupar aos vícios alheios.
Contudo falho! E repito o cenário…
Entre mim e ti há tudo!
Há comunalidades que factos não conseguem provar!
Uma explosão de sentimentos que fazemos
                               Ou faço travar!
Há conversas com palavras mudas. Que são tudo!
                               São toda a história e toda a emoção.
Falamos e tocamos levemente,
Tu em ti e eu penso em tocar-te…
Mas tocamos! As nossas almas!
                               Tocam-se! Fora de mim e fora de nós!
                               Fora da realidade!
Há a placidez de um olhar,
                Sublime, carregado de dor!
Revejo-te. Ai estas, sozinho a olhar-me!
Comovo-me, não me movo!
                Espero pelo passo. Ele não chega. Recuo!
Consigo sentir a tua dor, o teu peso,
O teu olhar e o teu sorriso.
Lá não estão, mas eu vejo-os e muitas vezes os imagino.
Entre mim e ti há tudo!
Um mundo de ilusão e de muita comoção.
A tua imagem acelera-me e descompõe-me!
Imagino uma e outra vez esse teu olhar, carregado,
                               De ti e da tua forma de ser.
Entre mim e ti não há nada,
                               Visto à luz da claridade! Da Realidade!
Nada há!
                               Silêncio que se perpétua!
Conheço-te pelo olhar!
Sim esse que me afugenta as ideias e os pensamentos,

                               E se crava no meu peito!